O Milagre Da Tefilá – Encarte

Encarte de Tefilá

O Milagre da Tefilá:

Uma Noite Inesquecível

A incrível história narrada por André Roitman, diretor da Hatzalah South Florida e boguer da Yeshivá de Cotia (1998), que é um verdadeiro testemunho do poder da oração

Organizado por Kobi Safra e Shaul Passy

Quinta-feira, 26 de dezembro de 2024, primeira noite de Chanucá. A luz das velas trazia calor espiritual, mas, para mim e minha equipe da Hatzalah South Florida, era mais um dia de correria, salvando vidas.

Sou André Roitman, diretor da Hatzalah há 15 anos, e achava que já tinha visto de tudo. No entanto, aquela noite me provou que não…

Voltávamos do transporte de um paciente quando o rádio anunciou um chamado que costuma fazer o coração parar: “Homem, 30 anos, sem respiração”. Graças à Providência Divina, nossa ambulância, que me levava junto com um técnico de emergência e um paramédico, estava a dois minutos daquele endereço.

Chegamos a uma cena de filme de terror. Um jovem, Jonathan, estava no chão, coberto de sangue, enquanto sua esposa, também ensanguentada, fazia, desesperada, RCP (Reanimação Cardiorrespiratória). Avaliamos rapidamente: Jonathan sofreu uma síncope, bateu o rosto no balcão da cozinha e caiu. O trauma fez com que aspirasse sangue para os pulmões, causando colapso pulmonar e parada respiratória. Cada segundo era crucial.

Nosso paramédico agiu rápido, usando um novo dispositivo portátil de sucção para limpar as vias aéreas. Isso permitiu a intubação e respiração de resgate, diretamente nos pulmões. Jonathan permaneceu inconsciente, e com sete membros da equipe trabalhando intensamente, sabíamos que as chances de sobrevivência eram mínimas.

Em meio ao caos, vi a esposa de Jonathan tremendo. Levei-a para o lado, tentando acalmá-la, e sugeri que recitasse Tehilim. Telefonamos para seu rabino, que indicou os capítulos exatos. Enquanto ela recitava com fervor, perguntou-me, com olhos cheios de angústia: “Ele vai respirar de novo?”. Pela primeira vez, senti que estava mentindo ao dizer: “Ele vai ficar bem”. Pedi que continuasse com os Tehilim até estarmos prontos para transportá-lo ao hospital mais próximo.

No hospital, entregamos Jonathan aos médicos, que iniciaram as intervenções de emergência. No saguão, encontrei os pais dele, rostos tomados pelo medo. “Como ele está?”, perguntaram. Mais uma vez, senti o peso das palavras ao responder: “Em estado crítico, mas tem grandes chances de se recuperar”. Ao sair do hospital, pensei que nunca mais veria Jonathan.

No domingo à tarde, eu me dirigia a um encontro com minha equipe, para oferecer apoio, após um chamado tão traumático. Estacionei no restaurante, quando recebi uma ligação de um número desconhecido no WhatsApp. Contra meu hábito, atendi. Uma voz jovem disse: “Olá, aqui é o Jonathan”. Confuso, perguntei: “Que Jonathan?”. A resposta me deixou atônito: “O cara que vocês salvaram na quinta-feira”.

Em choque, exclamei: “Você está vivo?!”. Jonathan riu e disse: “Não só estou vivo, mas estou saindo do hospital hoje, graças à equipe da Hatzalah”. Naquele momento, ele prometeu três coisas: uma doação, uma festa com os socorristas e se tornar voluntário da Hatzalah. Agradeci, ainda em choque, e entrei no restaurante, pálido de incredulidade.

Meus colegas notaram minha expressão. “O que houve?”, perguntaram. Quando falei: “Jonathan acabou de ligar,” eles perguntaram em uníssono, como um coral afinado: “Que Jonathan?”. Ao explicar que era o rapaz que salvamos na quinta-feira, exclamaram juntos, com espanto: “Ele está vivo?!”.

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O Encontro Inesperado

Três semanas depois, aconteceu o Shabat anual de arrecadação de fundos para a Hatzalah, na sinagoga Edmond Safra, em Aventura. Eu e outro diretor fomos escalados para falar em todos os quatro minianim da manhã, inspirando a comunidade a apoiar a Hatzalah na compra de novos equipamentos. Dessa vez, eu tinha uma história especial na manga: a de Jonathan. Sabia que ela tocaria os corações e mostraria a importância do trabalho de nossos voluntários.

Chegamos às 6h da manhã para o primeiro minian. Durante a leitura da Torá, notei um homem ashkenazi, que não parecia um frequentador habitual. Ele recitou a bênção Hagomel, agradecendo por ter sobrevivido a um perigo mortal. Quando voltou ao seu assento, apertei sua mão, disse “Shkoiach” e perguntei por que ele havia recitado Hagomel. Ele respondeu: “Há três semanas, quase morri, e a Hatzalah me salvou”. Olhei para seu rosto, sem reconhecê-lo, e perguntei: “Qual é o seu nome?”. Ele disse: “Jonathan”.

Em total incredulidade, exclamei: “Jonathan? Eu sou André!”. Ele ficou pálido e gritou: “André?!”. Trocamos um forte abraço, com lágrimas nos olhos. Perguntei: “O que você está fazendo aqui?”. Ele respondeu: “Eu nunca venho, mas me senti melhor e vim dizer essa berachá para agradecer a D’us por ter sobrevivido”. Então ele perguntou: “E você, o que faz aqui?”. Eu disse: “Vim contar a sua história! Venho apenas um Shabat por ano para arrecadar fundos”. Jonathan exclamou: “Que coincidência! Eu também quero contar minha história”. Rindo, retruquei: “Que história você vai contar? Você estava inconsciente, cara!”.

Naquele momento, o rabino me chamou ao púlpito para falar. Ainda abalado pelo encontro, subi ao palco. Contei toda a história de Jonathan, a incrível atuação da Hatzalah e o público já estava emocionado, quando concluí: “Não só Jonathan saiu do hospital, mas ele está aqui hoje, na sinagoga. Com vocês, Jonathan!”. Ele subiu, e eu não sabia o que ele diria, mas o público estava em choque.

Jonathan começou a falar algo inédito: “Vocês ouviram as palavras do André, e é a primeira vez que escuto com detalhes o que aconteceu comigo, porque eu estava morto. Só me lembro de uma luz forte, muito boa. Perguntaram-me se eu queria seguir adiante, e eu disse que sim. Então, comecei a ouvir uma voz feminina familiar; minha esposa recitando Tehilim. Naquele momento, lembrei que tinha uma família esperando por mim e precisava voltar. Foi quando ouvi os barulhos dos paramédicos me atendendo”.

Quando Jonathan terminou, o silêncio na sinagoga era absoluto. Ninguém se mexia. Nem eu. Mas eu precisava concluir meu discurso. Com lágrimas nos olhos e um aperto na garganta, disse: “Este encontro de hoje não foi combinado. Vemos as mãos de Hashem em tudo o que fazemos”.

A força da tefilá trouxe Jonathan de volta. Jamais podemos subestimar o poder de um capítulo de Tehilim!

André Roitman com o Senador Pizzo e Consul Geral de Israel na Flórida

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