Encarte de Tefilá
O significado das
tefilot diárias
Não há duas orações iguais e nunca poderemos saber qual delas penetrará os Céus, mas o fato é que cada reza nos conecta mais e mais com Hashem
61 | Or Yossef Yeshivá College
RAPHAEL MISHALY
YONATHAN KACZALA
8º ano do Ensino Fundamental
Muitos de nós admitimos que repetir as mesmas tefilot, dia após dia, representa um desafio à nossa capacidade de manter a Kava-ná e o entusiasmo em nossas orações. Tomemos Shemonê Esrê como exemplo. Durante a semana, é basicamente a mesma tefilá três vezes ao dia. E, para agravar a situação, se rezarmos Minchá/Arvit em sequência, será o mesmo Shemonê Esrê duas vezes, com um intervalo de 10 a 15 minutos entre ambos. Como manter a sensação de fervor?
Imagine que você está viajando em um daqueles trens de observação de luxo, com vagões panorâmicos e serviços de alto padrão, voltados para admirar paisagens espetaculares com o máximo conforto. Você fica sentado no mesmo assento por três ou quatro dias, mas a paisagem ao seu redor muda constantemente. Um dia você está viajando pelo deserto, e então termina com um passeio pela Costa do Pacífico. Você não se move, mas tudo ao seu redor está mudando a cada hora.
Pois bem, sua tefilá pode ser feita com as mesmas palavras três vezes ao dia (ou seja, como se estivesse sentado no mesmo lugar), mas cada dia ou talvez cada hora traz novos motivos e circunstâncias (ou seja, cenários) para rezar ou agradecer a Hashem. Essas mesmas palavras podem assumir um novo significado cada vez que você as pronuncia, à luz das mudanças diárias em sua vida e na sua dinâmica pessoal.
Qual tefilá desencadeará a mudança?
Como sabemos, Moshê teve sua entrada em Érets Yisrael negada. Chazal contam que ele rezou 515 vezes (guemátria de “vaetchanan”), implorando a Hashem que mudasse de ideia. Nesse momento, D’us o impediu de continuar orando. Nossos Sábios explicam que, se Moshê tivesse rezado mais uma vez – ou seja, 516 vezes, Hashem teria de deixá-lo entrar na Terra de Israel.
Nunca se sabe qual tefilá, finalmente, penetrará os Céus e alcançará o Trono de D’us. Temos de acreditar que será essa, mas, se não for, nunca devemos desistir de rezar mais uma e outra vez!
Conexão com Hashem
O Mabit (Rav Moshê ben Yossef MiTirani; Grécia, 1500-Israel, 1585) escreve sobre essa questão em seu sêfer Bêt Elokim. Ele diz: “Imagine pedir algo a um rei, e ser recusado. Então você pede novamente, e é recusado. Pede novamente. E novamente. Em algum momento o rei (ou seu pai), provavelmente, se cansará de sua importunação; talvez fique bravo e o mande embora. Afinal, se o rei estivesse inclinado a responder afirmativamente ao seu pedido, ele o teria feito logo no início”. Pergunta o Mabit: “Então, por que fazemos exatamente isso, todos os dias, com Hashem?”. Muitas vezes pedimos a mesma coisa, e ela não vem. Por que não entendemos a dica e paramos de importuná-Lo?
O Mabit responde que um dos propósitos da tefilá é o de nos ajudar a reconhecer que não há mais ninguém a quem possamos rezar, a não ser Hashem! Somos carentes e temos necessidades, e somente Ele pode nos ajudar, salvar e prover.
Rav Shimshon Pincus zt”l (Estados Unidos, 1944-Israel, 2001) acrescenta que o propósito da tefilá é fazer pedidos. Peça! Hashem quer que “peçamos a Ele”, porque isso demonstra o reconhecimento da nossa dependência e nos aproxima Dele. Não se trata apenas de pedir ou mesmo louvar a Hashem. Mais importante ainda é que a tefilá nos permite desenvolver um relacionamento com Ele. Ela estabelece nossa conexão com Hashem! Portanto, reze! Ah! E talvez dessa vez, será atendido!
Or Yossef Yeshivá College | 62
