O Soldado E O Shemá

Encarte de Tefilá

O Soldado e o Shemá

Uma história real sobre o poder do Shemá Yisrael, que pode até salvar vidas

ITZY ROSENBERG / ITZCHAK SAFRA
8º ano do Ensino Fundamental
Or Yossef Yeshivá College

Conta-se que um rabino foi visitar uma tropa do Exército de Israel, prestes a entrar em Gaza.

Ele conversou com os soldados, palestrou e, por fim, deu uma berachá para que tivessem sucesso em sua missão.

Um soldado afastado do Judaísmo veio até o rabino e questionou:

— Olha, rabino, agradeço a berachá que o senhor deu, mas o que vou fazer com ela lá dentro de Gaza? De que vai me servir essa berachá?

Então o rabino lhe disse que, para responder à sua pergunta, contaria uma história, que se passou nos anos 60, em Israel. Naquela época, havia um ministro da Educação chamado Zalman Oren. Também em um período de guerra, ele foi visitar uma base militar. Lá, contou aos soldados a sua saga:

— Hoje vocês estão me vendo, e sabem que não acredito em D’us. Mas nem sempre foi assim. Eu nasci e cresci na Rússia, e era religioso. Estudei em uma escola religiosa, em uma yeshivá… Em 1917, o governo russo me prendeu. Nesse momento, virei comunista, socialista… até que acabei me tornando ateu. Eu estava em uma batalha pelo Exército Russo, defendendo meu país, e fiquei em uma situação de grande perigo. De tudo o que eu poderia fazer, o que fiz? Para minha vergonha, comecei a recitar Tehilim, que ainda lembrava de cor. Com grande “sorte”, me salvei. Minha vida seguiu e hoje estou aqui com vocês.

Quando terminou de contar sua história, um soldado se levantou e disse:

— Desculpe falar assim, Sr. Ministro, mas o senhor cometeu uma grande injustiça! Naquela época, quando era um soldado, o senhor sabia como pedir, rezar, e assim o fez. Agora, aqui em Israel, as escolas não ensinam nada de religião, nem sequer como rezar. O senhor tinha a opção de rezar; hoje em dia nós não temos, pois não aprendemos. Como Ministro da Educação, é sua função nos proporcionar, ao menos, esse conhecimento, para que, em um momento de perigo, possamos ter a alternativa de saber como rezar.

Essa foi a história que o rabino contou ao soldado na Guerra de Gaza. E então decidiu ensinar a todos o Shemá Yisrael, o hino do Povo Judeu, para que, em um momento de perigo, aquele soldado pudesse recitá-lo. Ainda um pouco inconformado, o rabino se despediu.

O batalhão partiu para a guerra, e o rabino voltou à sua rotina, acreditando que a história terminaria ali. Mas, alguns dias depois, recebeu uma ligação do Hospital Soroka, que atendia a muitos soldados feridos na guerra. Disseram-lhe que havia um soldado exigindo sua presença ali.

O rabino foi até o hospital e, ao chegar, notou um senhor andando de um lado ao outro, ansioso e agitado. Era o pai do soldado.

— Você é o rabino? Meu filho só quer falar com o senhor.

Ao entrar no quarto, o soldado disse:

— Rabino, o senhor salvou minha vida!

E passou a narrar o que lhe havia ocorrido: Ele e seu batalhão estavam indo bem na guerra, conquistando territórios, quando, de repente, foram cercados por terroristas que surgiram de um túnel. Houve uma longa troca de tiros. Os soldados conseguiram neutralizar todos, menos três, que fugiram. Sabendo que eles correriam para o esconderijo, aquele soldado e mais dois companheiros os perseguiram. Novamente houve troca de tiros, e os israelenses mataram os três terroristas. Mas não perceberam que havia um quarto inimigo escondido.

De repente, viram-no arremessando uma granada em sua direção.

Parecia câmera lenta: o pino saindo, a granada voando até eles… Não havia tempo de fugir.

Então, a única coisa que o soldado lembrou foi do Shemá Yisrael, que o rabino lhe havia ensinado. Ele levantou o braço direito rapidamente, colocou a mão sobre os olhos e recitou:

— Shemá Yisrael, Hashem Elokênu, Hashem Echad!

Só que, ao erguer o braço repentinamente para cobrir os olhos, sua arma subiu junto e, nesse movimento, desviou a granada, que acabou voltando em direção ao terrorista. A explosão o atingiu mortalmente. Os soldados foram feridos por alguns estilhaços, mas todos sobreviveram.

— Rabino, se não fosse pelo Shemá Yisrael que o senhor me ensinou, eu e meus amigos não estaríamos vivos hoje!

D’us quer nosso grito; nosso clamor com emoção! Precisamos saber que Hashem deseja as nossas rezas, para poder nos ajudar!