Ponto de Vista
Never again? O Ressurgimento do Ódio
Reflexões sobre os tempos atuais, motivadas pela Marcha da Vida de 2025. “É hora de agir!”
BENY SUSSKIND – 3º ano do Ensino Médio
Na Marcha da Vida da Yeshivá de Cotia (Or Yossef) de 2025, nossa turma se deparou com diversas exposições sobre a vida Judaica na Europa, antes da Se-gunda Guerra Mundial, e os horrores da Shoá (Holocausto). Essa jornada foi muito marcante, com grandes aprendizados, tanto históricos quanto sobre a valorização da religião Judaica, liberdade, Messirut Nêfesh (autossacrifício), entre outros pon-tos. Entretanto, a maior lição que aprendi foi a importância do fortalecimento de Am Yisrael, o qual, apesar de ser submetido a diversas perseguições, exterminiose escravidão ao longo de todos os tempos, nunca abaixou a cabeça, e seguiu lutando pela sua existência e missão na história dos povos.
Em um dos nossos primeiros passeios pela Polônia, visitamos a área do famoso Gueto de Varsóvia, onde aprendemos muito sobre o levante ocorrido nele e toda a resistência Judaica de vários grupos da época. Até mesmo grandes rabinos do gueto de Varsóvia apoiaram esse movimento; apesar de não ter qualquer chance de der-rotar a máquina de guerra nazista, foi uma revolta em nome da dignidade humana. Atualmente há um monumento ali, no local onde vários líderes dessa revolta foram assassinados, destacando-se o nome “Mordechai Anielewicz”, um dos líderes da re-volta daqueles que arriscaram suas vidas para lutar por seus ideais.
Naquele momento, as histórias compartilhadas pelos rabinos e pelo guia da Yeshivá, em conjunto com a sensação única de estar pisando no mesmo lugar onde judeus dedicaram tudo de si para dar continuidade ao nosso Povo, me fizeram re-fletir muito sobre meus atos e decisões.
A situação em que nos encontramos como Povo é muito complicada, e, diferen-temente do regime nazista, os antissemitas não portam suásticas, nem fazem sau-dações com braço em riste, mas atacam Israel e judeus de forma covarde, injusta e mentirosa, principalmente pelas mídias sociais.
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É válido lembrar que o Holocausto não começou repentinamente, mas foi uma estratégia apli-cada dia a dia, para segregar e depois exterminar as raças consideradas “inferiores”.
Portanto, devemos estar atentos, todos os dias, já que o mal se disfarça de maneiras distintas com o passar do tempo. Nos dias de hoje, os inimigos do nosso Povo se escondem atrás de uma máscara antissionista, e alegam estar aplicando medidas somente contra o Estado de Israel quan-do, na verdade, propagam discursos de ódio e intolerância contra todos os judeus ao redor do mundo.
Nesse contexto, nos encontramos diante de uma única escolha: a de agir! Cada um como pode, até mesmo apoiando causas corretas na mídia, defendendo nossos irmãos e irmãs ao redor do mundo, pois a cada dia mais e mais pessoas se revelam nossos inimigos. Não há outra forma de ação, e alguém que negligencia o crescimento exponencial do antissemitismo, especialmente des-de o começo da guerra contra o Hamas, em 2023, está apenas se enganando.
Nos noticiários, proliferam notícias, vindas de vários países, relatando casos de boicote ou agressão a judeus de diferentes origens e comunidades, sionistas ou não, muitas vezes contendo, assustadoramente, semelhanças com os terrores da década de 30, pré-Holocausto.
Em suma, é essencial, da parte de cada um, criar responsabilidade sobre si e começar a se es-forçar mais e mais para fortalecer nossa identidade Judaica, lutar pela resistência Judaica e pela Terra de Israel. Assim como ocorreu com os heróis do levante do Gueto de Varsóvia e outros mo-vimentos revolucionários da época, Am Yisrael não pode se calar diante dessa nova ameaça, mas precisa agir, antes que seja tarde demais.
Devemos agir, agir e agir! Com a confiança que, no fim, com a ajuda de Hashem, a força de nossas tefilot, nosso estudo da Torá e bons atos, combinados com a dedicação dos nossos solda-dos, será o suficiente para resgatar os últimos reféns de Gaza* e confirmar uma vitória de Israel e dos judeus sobre todos os nossos inimigos ao redor do mundo, nos aproximando da chegada de Mashiach e da reconstrução de Jerusalém.
* Esse texto foi escrito antes da assinatura do acordo de cessar-fogo e da devolução dos reféns.
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