História – Reza Inusitada

Como o resultado de uma partida dos Lakers pode nos ensinar a acreditar em nossas tefilot

Alunos do 2º ano do Ensino Médio:

BENJAMIN SOUCCAR

DAVID KAFEL ALVES

Certa vez, Ely, um jovem estudante americano, chegou à sua yeshivá após um longo dia de estudos e surpreendeu seus amigos com uma verdadeira festa: refrigerantes, sucos, e até mesmo pizza. Todos ficaram supercontentes e se divertiram muito lá na yeshivá, como se fosse uma grande celebração. Mas logo começaram a se perguntar: qual seria o motivo de tanta comemoração? Ely estaria fazendo um siyum, terminado algum tratado? Ou era seu aniversário? Todos estavam muito curiosos.

Então Ely falou:

— Vocês não vão acreditar!

Ele mal conseguia contar a história, de tanto rir da situação que havia vivido, mas logo começou a explicar:

Ele estava no Cotel, fazendo sua reza com total concentração e conexão com D’us. Ao terminar, notou um homem com aparência muito diferente, vestindo uma calça que chamava bastante atenção. Curioso sobre a presença daquele indivíduo, Ely até pensou em abordá-lo, mas observou que ele escreveu um bilhete e o colocou nas frestas do Muro. Depois que o homem foi embora, a curiosidade de Ely falou mais alto. Ele sabia que não era o mais correto a fazer, mas pegou o bilhete e reparou que era uma reza – mas não uma reza comum.

Naquele pedaço de papel, o homem pedia a D’us para saber o resultado da final da NBA!

“Quem vai me avisar?”, dizia o bilhete. “Ligar para os Estados Unidos é caríssimo (e assim era naquela época)! Preciso saber se meu Lakers vai ganhar! Estou aqui em Israel, e se Você é o D’us daqui, por favor mande alguém me avisar. Estou no hotel ‘X’, 16º andar, quarto 1608.”

Ely não conseguia parar de rir. Como alguém podia ser tão sincero e concentrado em um pedido tão… inusitado?

Mas aquele bilhete ficou martelando na cabeça de Ely.

No dia seguinte, o bachur decidiu ligar para seu pai, nos Estados Unidos:

— Pai, os Lakers ganharam?

O pai respondeu, meio desapontado:

— Eu o mandei para Israel para se preocupar com basquete, meu filho?

Então Ely explicou toda a situação, contou sobre o homem do Kotel e a curiosidade que lhe tomou.

— Sim, os Lakers ganharam — respondeu o pai.

Ely decidiu se vestir com roupas brancas, para parecer um anjo disfarçado. Pegou um, dois, três ônibus até chegar ao hotel mencionado no bilhete. Subiu até o 16º andar e bateu na porta do quarto 1608, fingindo ser um emissário de D’us. Quando o homem abriu a porta, Ely anunciou:

— Os Lakers ganharam!

O momento foi de pura alegria. Os dois, que nem se conheciam, fizeram uma verdadeira festa.

O homem estava tão feliz, que tirou do bolso 300 dólares e os entregou a Ely – o que era muito dinheiro, especialmente para um jovem bachur de yeshivá. Foi com esse presente que ele comprou as pizzas e bebidas para comemorar com os amigos.

Enquanto Ely e seus colegas gargalhavam com a inacreditável história, o rabino entrou na sala e perguntou o que estava acontecendo. Entre risos, os bachurim fizeram um relato completo do caso. Mas, para surpresa de todos, o rabino fechou o rosto por um instante… De repente, uma lágrima escorreu de seus olhos.

— Rabino, nós o magoamos? Falamos algo errado? — perguntaram, preocupados.

— Não, não… — respondeu o rabino — Só quero que pensem: por que você pegou aquele bilhete? Por que fez uma ligação tão cara para seu pai? Por que pegou três ônibus e subiu 16 andares para avisar aquele homem? Vocês acham que isso foi só uma brincadeira? Hashem ouviu a reza daquele homem, por mais “fútil” que ela pudesse parecer, e atendeu seu pedido.

Muitas vezes rezamos com muita concentração, mas será que realmente acreditamos no que pedimos? Às vezes achamos que não podemos chegar a certos lugares, mas não percebemos que nossas rezas e intenções fazem com que Hashem nos guie para caminhos pelos quais nem imaginamos ir, alcançando metas além das que colocamos em nossas vidas.

E o rabino concluiu:

— Que possamos acreditar nas nossas rezas. Que possamos chegar muito longe!

Fontes: ex-rabino de Hong Kong; Rav Azarzar, rabino do projeto Arachim Or Yossef Yeshivá College | págs. 19-20