Cuide Para Não Sair Nada De Mau De Sua Boca

Ensinamento

נְצֹר לְשׁוֹנְךָ מֵרָע

Cuide para não sair nada de mau
de sua boca

Ao aceitar ser fiador, um Rabino não sabia exatamente o que fazia. Mas, depois, nos deixou uma grande lição

ALBERT DICHI
9º ano do ensino fundamental

Um homem pediu ao Rav Yechezkel Levinstein ZT”L para ser seu fiador em um empréstimo de 100 mil shekalim. O Rabino aceitaria desde que o valor fosse dividido entre cinco fiadores, cada um se responsabilizando por 20 mil shekalim.

Alguns meses depois, o credor ligou para o Rabino e disse que o tomador do empréstimo não havia pago a dívida e não era possível ter contato com ele, pois estava nos Estados Unidos. Portanto, o Rabino deveria pagar os 100 mil shekalim.

— Cem mil? — perguntou-lhe o Rabino — Eu assinei uma fiança de 20 mil com outros quatro fiadores, não de 100 mil.

— Não, não — respondeu-lhe o credor. — O Rabino assinou como fiador dos 100 mil.

O Rav pediu para se encontrar com o credor e rever a papelada. Quando se defrontou com os documentos, percebeu a cilada: o devedor, em vez de dividir o empréstimo em cinco fiadores, fez o Rabino assinar um documento que o tornou responsável pelos 100 mil shekalim.

O Rav pediu ao credor que considerasse sua situação financeira e que a dívida fosse parcelada o máximo possível. O outro foi bastante compreensivo e concordou em parcelar a dívida em dez anos.

Em casa, o Rabino contou o caso à sua esposa.

— Quem é esse devedor? — perguntou a Rabanit.

— Desculpe, não posso dizer. Você sabe, é Lashon Hará.

— Isso é Lashon Hará?

— Sim, por isso não tenho permissão para lhe contar.

— Mas vou ter que lidar com uma dívida de alguém que nem sei quem é?

— Não há permissão, conforme a Halachá, para dizer quem é o devedor. Tudo o que eu disser sobre o assunto tornará nós dois culpados de Lashon Hará.

A Rabanit, mesmo não inteiramente conformada, entendeu e concordou.

Alguns meses depois, a Rabanit e o Rabino receberam um convite para o casamento de um parente dos EUA. Avaliaram se iriam ou não, e decidiram que ela viajaria sozinha. Já nos Estados Unidos, quando estava em uma sinagoga, a Rabanit notou ao lado dela uma mulher com a qual rezava na sinagoga em Jerusalém. Era a esposa do devedor com o qual o Rav Yechezkel estava envolvido, mas a Rabanit não sabia disso. Ela ficou entusiasmada com o encontro, pois não via a outra fazia muito tempo, e cumprimentou-a graciosamente. A mulher ficou surpresa com a atitude calorosa, pois estava certa de que a qualquer momento a Rabanit iria gritar com ela. Mas os minutos passaram, e ela só recebia elogios da Rabanit. Ao se despedirem, a Rabanit pediu-lhe que mantivesse contato.

Em casa, a esposa do devedor disse ao marido:

— Você não vai acreditar quem eu vi hoje na sinagoga! A Rabanit de Jerusalém. Você deveria saber que estamos nos envolvendo com “anjos”! Ela não mencionou o empréstimo, não ficou brava, não gritou comigo – fez exatamente o oposto. Você agora vai conseguir os 100 mil para pagá-los, porque não consigo nem olhar nos olhos dela de tanta vergonha.

Depois disso, o devedor pegou os 100 mil shekalim, colocou em um envelope e pediu que sua esposa desse à Rabanit. Ela foi aonde a outra estava hospedada. Ao entregar o envelope, começou a chorar e disse:

— Estou pedindo perdão! Perdão! Perdão pelo que fizemos com você. Obrigada, obrigada! Aqui está o dinheiro do empréstimo — disse a mulher, vermelha de vergonha.

A Rabanit ficou chocada. Ligou para o marido, que estava em Israel, e disse:

— Querido marido, você é um santo! Se tivesse me contado quem era o devedor, só veríamos o dinheiro em sonhos. Eu certamente não teria abraçado a esposa do devedor, estaria fervendo de raiva e sabe-se lá que consequências isso teria. Mas, porque não me contou e resistiu ao teste de Lashon Hará, você não apenas me impediu de fazer esse pecado e o de ficar com raiva, mas também recebemos nosso dinheiro de volta.

FONTE: YESHIVÁ TEL ETZION