Ensinamento
26+65=91
Amen
A cada “Amen” que dizemos, criamos um anjo que nos protegerá de coisas ruins
MOISHE SILBERSTEIN
2º ano do ensino médio
Rav Israel Zicherman Shlit”a, Rabino do bairro Brachfeld em Modiin Illit, Israel, tornou-se amigo de um médico de um hospital próximo. Chamava-se dr. Stein, um judeu americano. Rav Zicherman sempre se impressionava com a maneira como dr. Stein cuidava das Mitzvot. Sabia que o médico não havia nascido numa família religiosa, e ficava curioso sobre como ele tinha voltado em Teshuvá e se tornado um judeu tão cuidadoso.
Um dia, decidiu perguntar-lhe. E o dr. Stein contou o seguinte:
“Eu cresci num lugar onde havia poucos judeus. Não havia sinagogas nem Yeshivot. Portanto, eu e minha família não tivemos a oportunidade de nos aproximarmos da religião. Sempre sonhei em ser médico. Quando me me formei em medicina, fui trabalhar em um grande hospital nos Estados Unidos. Certa vez, tive um paciente grave. Todos nós, os médicos que o tratavam, estávamos muito preocupados, porque não sabíamos se ele iria melhorar. Avaliamos que ele precisava passar por uma cirurgia dolorosa, mas nem sequer tínhamos certeza de que o procedimento funcionaria. Quando comuniquei ao paciente sobre a operação, eu estava nervoso – ele certamente ficaria chateado, eu pensei. Em vez disso, ele se virou calmamente e disse: “Dr. Stein, não posso tomar essa decisão sozinho. Preciso perguntar ao meu Rabino, o Rav Moshe Feinstein”. Eu nunca havia encontrado um Rabino cara a cara. Fiquei curioso para ouvir como ele responderia à questão. Então, fomos juntos ao grande Rav. Nunca esquecerei o que ouvi e vi. Primeiro, expliquei-lhe calmamente como aquele senhor estava doente, quanta dor ele sentia. Expliquei-lhe sobre a cirurgia complicada e como não sabíamos se ela ajudaria ou não. Sabe o que Rav Moshe fez? Ele chorou e chorou. Por quase 20 minutos lágrimas escorreram pelo seu rosto. Um homem que recebia toda semana centenas de pessoas e mesmo assim ainda sentia a dor de cada um – isso me causou uma grande impressão. Mas o que mais me impressionou foi sua resposta. Primeiramente, pediu para que voltássemos no dia seguinte. Quando voltamos, falou para fazermos a cirurgia. Ao ver minha surpresa, explicou: “Se a cirurgia o ajudar a melhorar, ele conseguirá cumprir muitas Mitzvot, além de conseguir responder “Amen”. E cada vez que falar “Amen”, serão criados anjos que o protegerão, vivendo uma longa vida”. Fizemos a cirurgia, o homem se recuperou e viveu muitos anos. Depois dessa reunião com o Rav Moshe, minha vida mudou. Ele viu que, mesmo que a cirurgia fosse difícil para o paciente, se havia chance de o paciente melhorar e continuar a cumprir as Mitzvot, deveríamos fazê-la. Porque Rav Moshe sabia que todos os Amenim que esse homem dissesse o protegeriam da doença. Foi então que percebi que deveria aprender mais sobre a Torá e as Mitzvot”.
A cada “Amen” que respondemos, criamos um anjo que nos protegerá de coisas ruins. Imagine quantos anjos criaremos respondendo a todas Brachot que ouvimos durante o dia: nas rezas, nas refeições…
Mas o que significa a palavra “Amen”?
A explicação mais conhecida é que as letras de אמן são o acrônimo de אל-מלך נאמן que significa “D’us, o Rei Confiável”. Por isso, após uma Brachá elogiamos Hashem por ser o Rei Confiável.
A palavra אמן também tem a mesma raíz de אמונה (Emuná), que significa “fé”. Dessa forma, ao dizermos “Amen” afirmamos que acreditamos no que foi dito na Brachá. Por exemplo: quando respondemos “Amen” à Brachá de Shehakol Nihiá Bidvarô (Que tudo foi criado através de Sua fala), estamos dizendo que acreditamos que tudo que temos é unicamente graças a Ele.
Outros explicam que a palavra אמן pode ser dividida em duas: א, que com seu valor numérico igual a 1 representa D’us (pois Ele é único); e mn (Man), o pão que caía do céu quando o povo de Israel estava no deserto. Por isso, no Amen estamos dizendo a D’us que sabemos que nosso sustento vem dEle.
O Amen também tem um poderoso valor numérico: 91, que é exatamente a soma do valor numérico do nome de י-ו-ה-ו. (que alude à bondade e à piedade de D’us), que é 26, mais o nome א-ד-n-י (que alude à justiça de D’us), que é 65. Sendo assim 26+65=91.
Contam que, certa vez, alguém viu um pequeno neto de Rabi Israel Salanter chorando e lhe perguntou:
— Por que está chorando, meu querido?
— Quero comer.
— Então por que você não come?
— Pois preciso fazer Brachá.
— Mas você não sabe qual Brachá se faz sobre esse alimento?
— Claro que sei. Porém, não havia ninguém para me responder “Amen” depois que eu a fizesse. Então, como poderia recitá-la?

