Encarte especial. Hungria
Satmar
A dinastia que nasceu na Hungria
e influenciou também o judaísmo
Chassídico nos Estados Unidos
MOISHE SILBERSTEIN
9º ano do ensino fundamental
Rav Moshe Teitelbaum, mais conhecido como Yismach Moshe, foi quem fundou a dinastia de Siguet e Satmar.
Quando jovem, viajou até a cidade do Gaon de Vilna e teve o mérito de fazer a Seudá de Shabat com ele. Perguntou ao Gaon se poderia ser seu aluno, mas ele negou, dizendo que a Hungria ainda precisaria de Yismach Moshe, e é lá que ele deveria ficar. Anos mais tarde, Rav Moshe se tornou rabino da Comunidade de Ujhely, na Hungria.
Após o casamento de sua filha, percebeu que seu genro se comportava como os Chassidim. Exigiu que deixasse aqueles costumes. O genro concordou, mas pediu que antes fosse visitar seu mestre, o Chozê de Lublin. Depois disso, se tornou Chassid deste e acabou levando o Chassidismo à Hungria.
Sua santidade era grande. Conta-se que, no começo do século 19, quando uma pandemia se espalhava pelo território húngaro, Rav Moshe disse que qualquer um que olhasse para sua face, mesmo não sendo judeu, não seria afetado pela doença. Na semana seguinte, seu rosto estampava as manchetes dos principais jornais do país, e a cura milagrosa chegou para praticamente toda a população.
[58 Or Israel College]Os Rabinos que o sucederam foram Rav Elazar Nissan Teitelbaum, Rav Yekutiel Yehuda Teitelbaum, Rav Chanania Yom Tov Lipa. O filho caçula do Rav Chanania foi o Rav Yoel Teitelbaum, mais conhecido como Vaioel Moshe, que se instalou em Satmar, onde se tornou o primeiro Rebe da cidade.
RAV YOEL DE SATMAR
O Rav Yoel, muito preocupado com a pureza do pensamento, era considerado uma pessoa santa. Casou-se aos 17 anos. Duas semanas depois faleceu seu pai, o Kedushat Yom Tov. Seu irmão mais velho, autor do livro Atzei Chaim, tornou-se o Rebe de Sighet.
Rav Yoel mudou-se para a cidade vizinha, a fim de crescer em Torá longe dos Chassidim de seu pai. Mas as coisas não funcionaram assim: logo estava liderando e educando sua própria Kehilah e seus Chassidim, tornando-se uma personalidade que todos consultavam.
Em 1924, foi para Kroli, na Hungria. Lá passou o que, na sua opinião, foram os melhores dez anos de sua vida, ensinando e aprendendo Torá. Em 1934, pediram que ele ocupasse o lugar vago no rabinato de Satmar. Rav Yoel já era então reconhecido como o líder do judaísmo da Hungria e um Gadol Hador admirado por todos.
Durante a Segunda Guerra Mundial, participou nos esforços de resgate de seus irmãos judeus. Quando os nazistas ocuparam a Hungria e começaram a deportação, Rav Yoel e sua esposa foram levados para o campo de Bergen-Belsen. Os alemães deixaram-no ficar com a barba (que o Rebe escondia com um cachecol, fingindo estar com dor de dente). Não comia a comida do campo de concentração: jejuava um, dois ou três dias por semana. Quase todos os dias escutava-se sua voz vindo de trás dos barracões não eram conversas, mas palavras da Torá e melodias para D’us. Ele fazia com que as pessoas em desespero voltassem a acreditar na espiritualidade.
[Imagem: Rav Moshe Teitelbaum, sobrinho do Rav Yoel de Satmar]“Era pai em casa e Rebe na comunidade. Agora sou pai na comunidade e Rebe em casa”. Rebe Yoel incentivava os sobreviventes com palavras de esperança e devolvia a eles a fé e a vontade de continuar. Lutou muito para que o mundo do pré-guerra fosse reconstruído preservando todos os costumes e tradições.
O Rebe Yoel é muito conhecido pela sua tenaz oposição ao movimento sionista, mas poucos sabem dos seus enormes projetos de Chessed. Com sua liderança, o movimento Satmar construiu uma extensa rede de assistência aos judeus nas mais variadas áreas. Até o resgate de judeus do Iêmen estava entre suas preocupações.
Quando criou o Kolel em sua comunidade, instituiu que para participar era necessário estar disposto a viver uma vida austera. Quem não quisesse tinha que trabalhar para ganhar – não podia viver da ajuda dos outros.
[O Rebe Yoel desenvolveu uma grande rede de assistência aos judeus em várias partes do mundo]O Rabino e sua esposa foram resgatados devido a um acordo secreto entre líderes judeus húngaros e representantes nazistas, para salvar um trem cheio de judeus. Conta-se que, na noite anterior à saída do trem, a mãe de um líder judeu veio no sonho para ele e disse que se o Rav não estivesse no trem, este não chegaria à Suíça. O grupo era composto por mais de 1.300 pessoas, entre elas professores, poetas, artistas, ativistas comunitários e líderes judeus húngaros e suas famílias, que não tinham nada a ver com o Rebe.
A imigração modernizou os judeus, e mesmo aqueles que haviam usado vestimenta Chassídica na Europa não se atreviam a continuar usando-a no Novo Mundo. O Rebe não deu o braço a torcer e mostrou que podiam usar a vestimenta Chassídica nos EUA. Seu exemplo pioneiro devolveu os costumes tradicionais aos judeus religiosos. Ele foi um dos pilares da reconstrução do judaísmo Chassídico nos EUA no Pós-Guerra.
Após a guerra, Rav Yoel se mudou para Eretz Israel. Lá, leais seguidores o acompanharam em cada passo que dava. Porém, pouco tempo depois embarcou em uma viagem a Nova York, para arrecadação de fundos, e acabou ficando por lá.
Os judeus inseridos na cultura americana eram muito diferentes do que ele estava acostumado na Hungria. Assim, sua tarefa pública mudou muito nos Estados Unidos.
Rav Yoel faleceu tendo só uma filha, que não teve filhos. Então, seu sobrinho, o Rav Moshe Teitelbaum, foi seu sucessor, o segundo na dinastia de Satmar. Rav Moshe teve vários filhos; dois deles são Rebes de Satmar hoje em dia.
[59 Or Israel College]Encarte especial. Ucrânia
Rabi Nachman
e Eretz Israel
Em seu livro, o Rabi escreve que o princípio da fé, da reza e dos milagres está apenas na Terra de Israel
IGOR BENISTE
3º ano do ensino médio
EZRA SAFRA
1º ano do ensino médio
Rabi Nachman escreveu muito sobre Eretz Israel – a terra onde os Olhos de D’us estão de forma permanente, onde a Shechiná se encontra e se revela com mais intensidade. Sendo assim, Rabi Nachman ansiou muito viajar para a Terra de Israel.
Rabi Nachman de Breslev foi uma das maiores autoridades Chassídicas e cabalísticas que o mundo já teve. Nasceu em 4 de abril de 1772 (Rosh Chodesh de Nissan 5532), na cidade de Międzybóż, que hoje fica na Ucrânia. Era um dos netos do Baal Shem Tov, o fundador da Chassidut. Aos 6 anos, Rabi Nachman já era considerado um sábio da Torá, de uma sabedoria e santidade tremenda, que poderia ser comparado com um anjo. Ele escreveu diversas obras e formou vários grandes alunos. Veio a falecer aos 38 anos, em 16 de outubro de 1810 (18 de Tishrei 5571). Chassidut de Breslev perdura até os dias de hoje sem outro Rebe, com várias comunidades numerosas.
Logo no início de seu principal livro, o “Likutey Moharan”, ele escreve: “O princípio da fé, da reza e dos milagres está apenas na Terra de Israel, pois ela é a fonte da elevação das Tefilot, e pode-se realizar pela sua reza o que a pessoa precisa; e fazem-se milagres e maravilhas verdadeiras no mundo.” (LM 7:1). Também escreveu que o judeu só se torna completo quando sente a Kedushá de Eretz Israel.
Aconteceu uma vez que um aluno do Rabi Nachman lhe perguntou a qual mundo espiritual ele se refere quando cita a “Terra de Israel” dando a entender que Eretz Israel era mais uma ideia ou conceito. O Rebe respondeu: “Quero dizer simplesmente que pegando um navio, chegando em Yafo, caminhando em suas ruelas…sobre essa Eretz Israel é que estou falando. Somente em Eretz Israel pode se chegar ao grau máximo de pureza espiritual.”
Assim, fica mais do que claro por que o Rabi Nachman tanto ansiava estar na Terra de Israel. Porém, na época tal viagem era muito perigosa e complicada, e habitar em Israel não era fácil. Mesmo assim, não seriam esses motivos que evitariam o Rabi de ir até lá.
A viagem do Rabi Nachman e de seu companheiro foi muito difícil, com muitos perigos no caminho. Incrivelmente, em todas as águas que o Rabi Nachman passou de barco houve tempestades. No Mar Negro, no Mar Mediterrâneo, entre outros. Mesmo assim, nunca desistiu, estando disposto a até entregar sua alma para pelo menos tentar chegar à Terra Santa.
[Likutey Moharan, edição de 1811]Depois de tantos desafios, o Rabi Nachman finalmente chegou à Terra de Israel. A sua alegria era indescritível, e ele sentia tanta Santidade, que nos primeiros passos que deu ficou com medo de sua alma sair de seu corpo.
O principal destino em Israel eram as cidades de Tzfat e Tiberíades. Lá se encontravam os grupos pioneiros Chassídicos, alunos do Maguid de Mezeritch, como o Rabi Aharon Kalisk e outros líderes espirituais com os quais trocou importantes descobertas, sobretudo ensinamentos da Kabbalah, focando principalmente na Kedushá de Eretz Israel. O Rabi Nachman disse a seus discípulos que conseguiu chegar a níveis muito altos e estudar grandes segredos da Torá em sua estadia na Terra de Israel.
Mas em Israel a situação não foi nada fácil. Fora a fome e a epidemia em Tveria (Tiberíades), ele e seus companheiros tiveram que enfrentar outras complicações. Quando o Rebe se preparou para voltar à sua cidade, marinheiros turcos o sequestraram. Sempre com Emuná forte, muita santidade e novos conhecimentos que adquiriu na Terra de Israel, o Rabino encontrou forças para passar por todos esses desafios e, Baruch Hashem, no final ele conseguiu retornar são e salvo.
Finalmente chegando à região de Medvedevka, reencontrou-se com seus Chassidim que ansiavam pela sua chegada. Agora estava na hora de o Rabi Nachman compartilhar o ar santo de Eretz Israel. Com tantos ensinamentos, seus alunos notaram que a Torá aprendida nesse momento era muito mais clara e profunda. O Rabi Nachman até falou: “Antes de viajar para a Terra de Israel eu falava uma Torá (ensinamento Chassídico), e quando sentia vontade de ir para Israel, já falava outra, num nível mais elevado. Na viagem senti uma mudança de novo e quando cheguei a Eretz Israel a Torá era totalmente outra” – indicando que, quanto mais próximo de Israel, mais santa era a Torá.
Ao dar os primeiros passos na Terra de Israel, o Rabi Nachman sentiu tanta santidade que ficou com medo de sua alma sair de seu corpo.
Como Rabi Nachman sempre dizia: “Para todo lugar que eu for, irei para a Terra de Israel”. Isso significa que, mesmo a pessoa não estando fisicamente em Eretz Israel, ela deve sentir sua santidade em qualquer lugar e saber que a meta final da história de nosso povo é Eretz Israel.
Que Hashem tenha piedade do seu povo e que nos mande muito rápido o Mashiach. Então, voltaremos todos para a nossa Terra e nos instalaremos nela, aquela onde cada judeu tem seu lugar. Que o Beit Hamikdash seja reconstruído muito rapidamente durante nossas vidas. Amen!
[61 Or Israel College]
