Memórias

Como começou a Yeshivá Guevohá de SP?

Uma Yeshivá não é apenas um local de estudo. É um celeiro de lideranças, uma fonte de espiritualidade e um berço de projetos e ideias inovadoras. Da nossa Yeshivá, em Cotia, emergiram inúmeras instituições e líderes que hoje atuam em diversas áreas da comunidade.

R. RAPHAEL SHAMMAH

A NECESSIDADE DA YESHIVÁ GUEVOHÁ

Estávamos no nono ano de funcionamento da Yeshivá de Cotia. Tudo ainda era uma novidade, e o impacto na comunidade era significativo.
Alguns alunos que concluíam o terceiro ano do Ensino Médio continuavam seus estudos nos grandes centros de Torá, em Israel ou nos EUA.
Para os que permaneciam no Brasil, não havia programas específicos para essa fase da vida. Eles se organizavam em torno das poucas aulas existentes nas kehilot, e alguns até retornavam diariamente para Cotia para estudar com os rabinos da Yeshivá. Assim, surgiu a necessidade de criar algo que pudesse ser uma continuidade dos anos de estudo em Cotia, durante a época da faculdade. Inicialmente, eu temia que abrir algo desse porte no Brasil privaria nossos bogrim da oportunidade de conhecer grandes centros de Torá no exterior. Receava que a abertura de uma Yeshivá Guevohá desencorajasse os bogrim de viajar e se integrar em batê midrashot com centenas de bachurim, onde poderiam estudar diretamente com os Guedolim (grandes líderes) de Am Yisrael.
No entanto, a necessidade de criar um Centro de Torá, talvez menor em tamanho, mas com a vantagem de ser mais atencioso e focado em cada aluno, tornou-se cada vez mais evidente para aqueles que não se adaptaram no exterior. Além disso, acreditava-se que uma Yeshivá pós-Ensino Médio em São Paulo teria um grande impacto na juventude local. Diante dessa realidade, começamos a desenvolver um programa para nossos bogrim aqui no Brasil.

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PRIMEIROS PASSOS

Em 1997, os alunos do terceiro ano do Ensino Médio, que concluíram os estudos na Yeshivá, formaram uma turma muito especial. Alguns deles foram para Israel (Yeshivat Kol Torah, em Jerusalém; Yeshivat Har Etzion, em Gush Etzion; a Yeshivá Ohr Yisrael, em Petach Ticvá), enquanto outros foram para os EUA (Yeshivá de Miami, entre outras). No entanto, depois de um ano, nem todos estavam totalmente realizados e adaptados em suas respectivas yeshivot.
Foi então que, em 1998, durante um dos eventos de Pessach no Hotel Eldorado, o Sr. Jorge Katz levantou a questão: por que não criar uma continuação da Yeshivá de Cotia? Uma primeira reunião foi rapidamente realizada na residência do Sr. Elie Horn, mas a ideia ainda precisava amadurecer.
Alguns meses depois, o Sr. Jorge e a família Katz novamente argumentaram: “Depois de ir para Israel, meu filho viajou para a Yeshivá em Miami. Entendemos que ele estude longe de casa se for para ficar em Israel; mas se for para estudar em uma Yeshivá em Miami, por que não criar uma Yeshivá Guevohá em São Paulo?”
Naquele momento, nasceu a Yeshivá Guevohá de SP.
Rav Ari Friedman, que já lecionava em Cotia e era o rabino da turma mais avançada, foi convidado a iniciar, no ano seguinte, em 1999, esse novo projeto para nossos

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bogrim: os alunos estudariam de manhã e à tarde na Yeshivá, e, à noite, cursariam faculdades em São Paulo, retornando a Cotia para pernoitar.
No início, restringimos a matrícula a alunos que já haviam estudado pelo menos um ano no exterior, pois queríamos garantir que eles compreendessem a grandeza da Torá nas renomadas yeshivot. No entanto, como era o início, havia poucos alunos, e tivemos que abrir mão dessa condição. Para ampliar o grupo, foi autorizado que os melhores alunos do terceiro ano do Ensino Médio se juntassem ao grupo da Yeshivá Guevohá. Esse esquema funcionou durante alguns anos até que a ideia prosperou: a Yeshivá Guevohá abriu as portas com apenas sete alunos, e, em quatro anos, já contava com mais de 30 estudantes, atraindo pessoas até de outros países.
Mais tarde, a família Katz dedicou o nome da Yeshivá Guevohá em memória do querido Sr. Jorge Hohn Katz z”l, chamando-a de Yeshivat Beer Avraham.

MUDANÇA PARA SÃO PAULO

As instalações já não comportavam as duas instituições: a Yeshivá de Cotia e a Yeshivá Guevohá. Foi então planejada a construção de um complexo independente, no terreno da Yeshivá de Cotia, com um projeto arquitetônico encomendado para o novo prédio.
No entanto, acabou-se decidindo que a Yeshivá Guevohá seguiria seu próprio caminho, mudando-se para uma casa no bairro do Pacaembu, mais próxima das faculdades frequentadas pelos alunos.
O resto da história vocês já conhecem: a Yeshivá Guevohá, liderada pelo Rav Ari Friedman, tornou-se uma fonte de Torá para muitos outros alunos de diversas instituições, além de contar com um importante Colel de avrechim, que se entregam com idealismo e dedicação ao estudo da Torá.

Que tenhamos o mérito de continuar a difundir e engrandecer a Torá em Am Yisrael!

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