Anjos no Restaurante
Como pensar no próximo pode nos beneficiar mais ainda do que o outro
RAFAEL KALANSKY
8º ano do Ensino Fundamental
Já havia se tornado uma tradição na família: uma vez por ano, Rav Hillel Wagner e sua esposa Hennie, viajavam por Israel, com seus sete filhos durante alguns dias das férias. O orçamento deles era muito apertado. Como não possuíam carro próprio, alugavam uma minivan e a abasteciam com comidas, bebidas e salgadinhos, para evitar que parassem no caminho, em restaurantes que custavam caro demais ao seu bolso.
Nas férias de verão de um certo ano, a família parou para fazer um piquenique na hora do almoço, com os alimentos que haviam trazido de casa. No meio da refeição, o filho de oito anos precisou usar o banheiro, e seu pai o acompanhou ao restaurante de um posto de gasolina, que ficava nas proximidades.
Ao chegarem ao restaurante, uma garçonete ofereceu-lhes uma mesa. O rabino respondeu que comer em restaurantes estava acima das suas possibilidades, mas que seu filho precisava usar o banheiro. No começo ela hesitou, mas depois permitiu, percebendo que o menino realmente estava muito necessitado.
Ele foi para o banheiro com o pai e, quando estavam prestes a sair do restaurante, o gerente, que também era o dono do lugar, os abordou, aos brados: “Aqui não é banheiro público! Você, que é religioso, deveria saber que é proibido usar uma propriedade alheia sem permissão. Quem o autorizou a usar nosso banheiro?”.
O rabino poderia ter apontado para a garçonete, mas, temendo que ela fosse demitida por seu ato generoso, disse: “Nós planejamos comer aqui… O restante da minha família já está chegando”, e pediu ao filho para chamar a mãe e os irmãos. O gerente então se desculpou…
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Quando se sentaram à mesa, a família levou um susto com os valores dos pratos. Afinal, não costumavam ter cardápios de restaurantes diante de seus olhos. Os irmãos murmuravam entre si: “Como o aba vai pagar a conta?”. Com certeza, aquele gasto não estava previsto, mas o aba não se abalou e deixou cada um escolher o que quisesse.
No fim da refeição, um garçom trouxe uma sobremesa especial, que não haviam pedido. O rabino perguntou por que ele tinha trazido aquela iguaria, já que, certamente, o custo dela estava acima das suas possibilidades. Então, o garçom disse que era “por conta da casa”.
Naquele instante, o gerente se aproximou e resolveu explicar: “Depois que vocês se sentaram para comer, a garçonete foi até a cozinha, chorando, e contou que o rabino decidiu trazer toda a família para comer no restaurante, mesmo sabendo que a conta dessa refeição comprometeria seu orçamento da viagem. E tudo só para salvá-la de qualquer problema”.
O gerente ficou tão tocado com a história, que resolveu fazer algo por aquela família tão especial: ele ofereceu um cupom de 50% de desconto para qualquer futuro consumo no seu restaurante, e disse para as crianças que elas deveriam se orgulhar do grande pai que tinham! Rabino Hillel agradeceu pelo brinde, e pediu a conta daquela refeição.
O gerente respondeu: “Temos uma política neste restaurante: nós fazemos questão de cobrar de todas as pessoas que vêm aqui para comer, mas de anjos, que nos honram com sua presença, nós não cobramos!”.
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