Encarte especial
Os princípios básicos da Chassidut
Os princípios básicos da Chassidut estavam ligados a um objetivo principal: restaurar o orgulho judaico, cada vez mais afetado.
LEVY KACZALA
2º ano do ensino médio
Para entendermos o impacto da Chassidut, é preciso antes saber o contexto na qual foi criada. Lançado pelo Baal Shem Tov na primeira metade do século XVIII, o movimento Chassídico apareceu num momento em que o judaísmo do leste europeu estava devastado e enfraquecido após pogroms, decretos e perseguições. Ao mesmo tempo, o povo de Israel já sentia os efeitos dos novos pensamentos iluministas, contrários à tradição, que estavam em grande ascensão no mundo.
Logo em seu início, era fácil observar que aquela linha de pensamento diferia muito do que veio antes: havia ali uma grande mudança na percepção judaica.
Como todo movimento revolucionário, a Chassidut também tinha seus princípios básicos, ligados ao principal objetivo de seu precursor: restaurar o orgulho judaico, cada vez mais afetado.
Os primeiros princípios introduzidos: a Ahavat Israel, o amor incondicional ao próximo, e a necessidade de estar sempre alegre. Rav Israel (Baal Shem Tov) era um revolucionário, e havia encontrado a chave para os corações feridos. Destacando as relações entre as pessoas e a felicidade de cada um e não apenas as exigências da devoção ao Criador e o estudo da Torá, a nova forma de atrair as almas sofridas para o caminho da Torá se mostrou vitoriosa.
Ao longo dos anos, o movimento foi se desenvolvendo e impactando a vida de mais e mais judeus no leste europeu. Com o crescimento, o Baal Shem Tov viu necessidade de inserir mais um princípio: a aproximação dos judeus simples, aqueles que viviam longe dos principais centros religiosos, com pouco acesso a conteúdos da Torá. Os princípios bem estruturados por Rav Israel chamavam a atenção desses judeus leigos, tornando-os assim seguidores do novo movimento. Essa prática, com o tempo, foi aceita pela maioria das linhas judaicas, e vem sendo seguida e aperfeiçoada até os nossos dias.
Também na relação com o Criador a Chassidut inovou. Ao observar a pouca importância que era dada à Tefilá, reza diária, o líder do movimento deu ênfase à preparação para a prece, e igualou seu foco ao do estudo da Torá, tornando-a algo mais profundo e prazeroso, não mais uma simples obrigação.
Por revolucionar o pensamento tradicional, foi muito criticada e perseguida pela comunidade judaica, que tinha um grande receio dos movimentos revolucionários da época e considerava os Chassidim “reformistas”. Mas mesmo aqueles que são contrários não negam sua influência positiva sobre o Judaísmo, desde a ênfase na devoção ao Criador até o respeito ao relacionamento com seus líderes. Como dizia um famoso rabino Chassídico: “Na história tivemos apenas dois movimentos que mudaram até mesmo aqueles que se recusaram a segui-los, a revolução industrial e o movimento Chassídico.”
Encarte especial
A Expansão do Chassidismo
Líderes Chassídicos e suas ramificações regionais
A partir da liderança do Maguid de Mezeritch, sucessor do Baal Shem Tov, o Chassidismo se espalhou inicialmente na própria Ucrânia e na Bielorrússia. Depois na Polônia – através dos alunos de Rav Elimelech de Lizensk e de seu discípulo Chozê de Lublin – e, mais tarde, na região da Romênia e Hungria.
Líderes e Regiões:
• Ucrânia: Baal Shem Tov (1690-1760), Maguid de Mezeritch (1710-1772), R. Avraham Hamalach (1741-1776), R. Nachman de Breslau (1772-1810), R. Israel de Ruzhin (1796-1850).
• Bielorrússia: R. Menachem Mendel de Vitebsk (1730-1788), R. Shneur Zalman de Liadi (1745-1813).
• Galícia e Polônia: R. Elimelech de Lizensk (1717-1786), Chozê de Lublin (1745-1815), R. Shalom de Belz (1779-1855), Rav Simcha Bunim de Peshischa (1765-1827), R. Mendel de Kotzk (1787-1859), R. Chaim de Zanz (1793-1876), R. Shalom Eliezer de Retzpet (1862-1944).
• Transilvânia, Romênia e Hungria: Ismach Moshe de Sighet (1758-1841), Rav Yoel de Satmar (1887-1979), R. Itzchak de Bohosh (1834-1896), R. Eliezer Zusha de Skulen (1898-1982).
Encarte especial – Polônia e Ucrânia
A Chassidut de Belz
Por que as sinagogas são tão importantes para essa Chassidut, a ponto de às vezes virarem pontos turísticos?
NATAN PRESMAN
9º ano do ensino fundamental
A sinagoga de Belz em Jerusalém virou um ponto turístico judaico, mas quero lhes contar por que as sinagogas são tão importantes na Chassidut de Belz.
Essa Chassidut começou em 1817, quando Rav Shalom Rokeach, também conhecido como “Sar Shalom” (ministro da paz), assumiu a liderança da cidade de Belz, no oeste ucraniano. Ele se empenhou em construir uma grandiosa sinagoga para abrigar sua comunidade. O próprio Rav Shalom se encarregava pessoalmente da construção, assentando tijolos com o cimento. Quando seu irmão se opôs a esse comportamento, Rav Shalom explicou:
“Quando estava na Yeshivá, eu e dois companheiros de estudo nos juntamos para estudar mil noites consecutivas. Tínhamos uma tradição: quem assim o fizesse teria uma revelação de Eliahu Hanavi. Após estudar centenas de noites, um dos companheiros não aguentou. Mas continuamos mesmo assim, com muitas dificuldades, eu e meu companheiro restante, até a noite número 800. Depois desta, estudei sozinho durante as próximas noites, até completar a milésima. A penúltima noite foi muito tempestuosa: janelas se quebraram e as velas se apagaram, mas eu estava determinado a não perder a última noite. Abri o Aron Hakodesh [armário onde estão guardados os rolos da Torá] e supliquei para Hashem por ajuda. Naquele momento a tempestade se acalmou. Quando cheguei à milésima noite, Eliahu Hanavi se revelou para mim, e estudamos a noite toda – mas as últimas leis que estudei com ele naquela noite foram as da santidade da sinagoga, assim como se estuda na Yeshivá dos Céus! Como posso deixar que os outros façam o trabalho da construção da sinagoga enquanto eu não faço nada?”
A obra, inaugurada em 1843, podia abrigar 5 mil Chassidim para rezar, com uma linda estrutura.
A sinagoga ficou em pé até que os nazistas invadiram Belz em 1939. Por mais que tentassem destruí-la, não tiveram sucesso, até que colocaram os próprios judeus para derrubá-la, tijolo por tijolo.
Os Rebes seguintes da dinastia foram: Rav Yeoshua Rokeach, Rav Issachar Dov, Rav Aharon Rokeach. Rav Aharon, após passar por muitos desafios, fugiu para Budapeste e de lá escapou com seu irmão mais novo para Eretz Israel.
RECONSTRUÇÃO EM ISRAEL
Após ter perdido toda sua família, Rav Aharon se estabeleceu em Israel, primeiramente em Tel Aviv, onde já havia uma pequena comunidade de Chassidim. A influência do Rebe sobre Tel Aviv foi considerável.
Tanto Rav Aharon quanto seu irmão, Rav Mordechai, perderam suas esposas e filhos no Holocausto e se casaram novamente, mas apenas Rav Mordechai teve outro filho, Issachar Dov. Infelizmente, um ano depois do nascimento de seu filho, Rav Mordechai faleceu. Rav Aharon fez todos os esforços para preparar Issachar Dov, seu sobrinho, para ser o próximo Rebe de Belz.
Como a maioria de outras dinastias Chassídicas oriundas da Polônia, Belz foi praticamente apagada do mapa europeu pelo Holocausto. Mesmo assim, Rav Aharon se dedicou ao máximo a reconstruir uma comunidade, e muitos Chassidim que perderam seus líderes no Holocausto se juntaram a ela.
Rav Aharon se tornou um líder reconhecido em Israel, construindo Yeshivot em várias cidades. Em 1950, transferiu sua Chassidut para Jerusalém.
Quando Rav Aharon faleceu, em 1957, seu sobrinho Issachar Dov tinha apenas 9 anos, portanto o movimento ficou sem um Rebe ativo por esse período. Posteriormente, Rav Issachar Dov se casou, aos 17, e um ano depois foi para Jerusalém assumir o cargo de Rebe de Belz, em 1966.
Rav Issachar Dov Rokeach, o atual Rebe de Belz, liderou com grande sabedoria a expansão vertiginosa das instituições educacionais de Belz e o crescimento das populações Chassídicas em Israel, nos Estados Unidos e na Europa. A comunidade Belz estabeleceu uma variedade de organizações de ajuda e instituições de Torá em várias cidades do mundo.
A GRANDE SINAGOGA DE BELZ
Na década de 1980, o Rav Issachar Dov começou a planejar uma enorme sinagoga para ser construída em Jerusalém. Ela foi projetada com quatro entradas acessíveis para cada uma das quatro ruas do bairro onde está instalada, no topo da colina. O prédio seria uma réplica ampliada da sinagoga original, inaugurada em Belz pelo Rav Shalom Rokeach em 1843. Incluiria um salão principal grandioso para orações, além de outras salas menores para estudos, salões para ocasiões especiais, bibliotecas etc.
Fato curioso: o Rebe fez questão de que a sinagoga fosse construída em direção ao Beit Hamikdash e de que não houvesse nenhuma casa de idolatria na linha aérea que a une ao lugar do Kotel.
A construção começou em 1985. O atual Rebe também fez questão de jogar pessoalmente com suas mãos o concreto das escadas do Aron Hakodesh.
Após 15 anos de obras, o grandioso edifício foi inaugurado no ano 2000, tornando-se uma das maiores sinagogas do mundo.
O salão principal pode abrigar até 7 mil pessoas. O Aron Hakodesh está no Guinness World Records: mede 12 metros de altura, pesa 18 toneladas e tem a capacidade de conter até 70 Sifrei Torá (rolos da Torá). Também há nove lustres, cada um com 5,5 metros de altura e 3,4 metros de largura, contendo mais de 200 mil peças de cristal tcheco. Porém, em contraste com a majestosa sinagoga, ao lado do Aron Hakodesh estão expos-tos numa vitrine a cadeira simples e o Stender (apoio de livros) de madeira do Rebe, da época em que ele chegou a Israel, em 1944.
Or Israel College | Páginas 42-47

