Sorrindo com os Olhos

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Sorrindo com os olhos

Com o uso de máscaras no rosto, ficou mais difícil decifrar as expressões faciais das pessoas. Sobram os olhos e eles nos dizem muito

R. CHAIM VITAL PASSY
Coordenador

Com máscaras no rosto, em razão das medidas de prevenção contra a covid-19, ficou difícil descobrir como as pessoas estão se expressando e reagindo enquanto conversam. Em tempos normais, quando podemos observar suas feições, desenvolvemos o diálogo baseando-nos na reação do outro. Está sorrindo ou sério? De bom ou mau humor? Riu da minha piada ou não gostou dela? A máscara instaura um mistério, pois metade do rosto praticamente fica encoberto. Mas e os olhos?

Os cientistas já descobriram a existência de mais de 50 tipos de sorrisos, que podem expressar inúmeras informações. Pesquisas sugerem que o mais sincero é o sorriso Duchenne – um sorriso que envolve os olhos. É o mais verdadeiro e sincero porque os músculos necessários para verdadeiramente sorrir com os olhos são involuntários: só podem ser acionados por um sorriso autêntico. Seus olhos sorrirão junto com os lábios quando você achar algo engraçado ou estiver verdadeiramente feliz. Eles se enrugarão nos cantos, de maneira que todo seu rosto participe do sorriso. Sorrir com os olhos, portanto, mostra autenticidade de sentimento. Mas não é somente isso que podemos aprender de nossas reações faciais.

O Tana Rabi Shimon bar Yochai ensinou através do Zohar a sabedoria da leitura de faces. Nossas feições escondem informações sobre nossa personalidade e nossas características pessoais. Essa sabedoria estava oculta no livro escrito por Adam Harishon que foi enterrado por Shlomo Hamelech para evitar problemas de interpretação errada. Rabi Shimon, no Zohar e em outras obras cabalísticas, revelou um pouco desse conhecimento a fim de mostrar a grandeza de Hashem e a forma perfeita como nosso corpo foi criado.

Arizal (Rabi Yitzhak Luria), o grande cabalista, também dominava essa sabedoria, herança deixada pelo seu mestre R. Moshe Cordovero. Observando a testa de uma pessoa, já visualizava toda a sua vida, inclusive reencarnações passadas, de forma a orientar e entender os acontecimentos particulares no presente, mesmo sem ao menos ter conhecido essa pessoa antes.

Tudo se baseou no fato de que Hashem disse a Moshe Rabenu em Parashat Itró (18:21): “E você observe em todo o povo se há pessoas valentes, tementes a D’us, pessoas verdadeiras, que repudiam o suborno”… Dessa forma Moshe Rabenu escolheria pessoas adequadas a ajudá-lo no julgamento do povo. Mas como saberia todas essas características sem conhecer cada um? O Rashi comenta que, através do Ruach Hakodesh, inspiração Divina, Moshe Rabenu seria capaz de reconhecer a intimidade de cada um. Já o Ibn Ezra comenta que, por meio da aparência, das características externas e das feições, Moshe teria êxito em enxergar as pessoas como elas são de fato.

Rabi Shimon bar Yochai explicou esse trecho da Torá no Zohar da seguinte forma: “E você observe” – o cabelo. …”em todo o povo”… – a testa e o formato do nariz. “Valentes” – a face. “Tementes a D’us” – os olhos. “Pessoas verdadeiras” – formato da boca. “Repudiam o suborno” – o formato e o traçado das mãos.

Os olhos representam a Irat Shamaim da pessoa: o quanto ela é sincera com Hashem e de verdade sente Sua presença em sua vida. A Irat Shamaim é o sensor de nossa sinceridade, do que realmente se passa em nosso interior, e isso pode ser visto através dos olhos. Um olhar pode dizer mil palavras sobre uma pessoa.

Sorrir com os olhos nos faz sentir felizes de verdade.

Or Israel College | Páginas 16-17